Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, apresenta a videoaula: POLÍCIA E EMANCIPAÇÃO NO TEATRO BRASILEIRO.
Um tradutor de ossos encontra uma orelha humana na orla da praia. Acostumado com a solidão e o cálcio, ele se entusiasma com a cartilagem companheira, passando a despejar palavras, imagens e sons na concha de carne humana. Então, a orla se torna plateia e o mar se faz palco. Nesse tablado impermanente, entram em cena personagens-espectros de caravelas, colonizadores, policiais, realezas fugidas, povos sequestrados, artistas filantropos, bichos-da-seda e o rastro dos massacres. Nessa cena fragmentada e vaga, são apresentados vestígios da história de um certo teatro brasileiro com o objetivo de convidar a pensar sobre as relações possíveis (e impossíveis) entre arte e emancipação no Brasil. Para isso, dois acontecimentos são destacados: a entrada de policiais para regular os comportamentos do público e dos artistas nas salas de espetáculo em 1808 e a prática de alforriar pessoas escravizadas em cena, na década de 1880, a década abolicionista.